Jardín Botánico de Lisboa, Monumento Nacional. Archivo EFE/Miguel Veríssimo

As espécies invasoras (não naturais de Portugal) são uma ameaça crescente à flora nacional

Foto: Jardín Botánico de Lisboa, Monumento Nacional. Archivo EFE/Miguel Veríssimo

André Carapeto,  da Sociedade Portuguesa de Botânica, disse à que as espécies invasoras (não naturais de Portugal) são uma ameaça crescente à flora nacional, e acrescentou que da lista de espécies classificadas como em perigo de extinção na maior parte dos casos o principal motivo é a “ação humana”, especialmente devido à “intensificação agrícola” e ao desenvolvimento urbano.

De acordo com os especialistas, 17% das espécies ameaçadas são legalmente protegidas. Estas ameaças “estão a acontecer até em áreas protegidas”, salientou.
Ana Francisco disse que além do livro hoje apresentado, de 374 páginas, toda a informação vai ser disponibilizada ‘online’, bem como o próprio livro.
Na obra dá-se também conta, disse, de 19 espécies extintas em Portugal (duas delas extintas mundialmente), e de oito espécies novas encontradas na flora do continente.

Mais de metade das plantas analisadas em Lista Vermelha ameaçada de extinção

A lista foi apresentada numa conferência na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, e é uma iniciativa da Sociedade Portuguesa de Botânica, da Associação Portuguesa de Ciência da Vegetação — PHYTOS, e do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Ana Francisco, coordenadora executiva do projeto da “Lista Vermelha” (a flora vascular é a que transporta seiva, compreendendo quase todas as plantas, sendo os musgos uma das exceções), traçou à Lusa um quadro preocupante da situação, e explicou que das 110 plantas analisadas que só existem em Portugal continental (e em mais parte nenhuma do mundo) 53 estão ameaçadas.

Foram analisadas 630 plantas nativas, das quais 381 estão em ameaçadas de extinção: 84 criticamente em perigo, 128 em perigo e 169 em situação vulnerável. Ana Francisco disse que para a investigação já havia uma ideia de que algumas plantas poderiam estar ameaçadas, mas que não se tinham certezas porque nunca tinha sido feita uma “Lista Vermelha”, aplicando os critérios científicos da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).

A bióloga explicou que o caso mais preocupante é uma planta endémica do Baixo Alentejo, associada a solos que foram modificados em consequência da Barragem de Alqueva e as zonas de regadios que surgiram. Há mais espécies ameaçadas pela agricultura intensiva, disse.

E explicou que no livro hoje apresentado apenas foi avaliado um quinto das espécies existentes em Portugal continental, pelo que este é um trabalho que tem de ter continuidade, até porque devem ser avaliadas outras espécies que podem estar ameaçadas.

O livro hoje apresentado, além de identificar espécies em risco de extinção, dá informação de referência sobre as espécies, contribui para o cumprimento de compromissos de conservação da natureza e para estratégias e políticas de conservação, e ajuda na investigação científica, disse na cerimónia na Fundação Gulbenkian a técnica do ICNF Andreia Farrobo.

De acordo com o documento os olivais tradicionais de sequeiro em solos básicos “em acentuada regressão”, são “o habitat exclusivo de cerca de 30 espécies ameaçadas de extinção”.

Os prados e pastagens são onde estão 38% das espécies ameaçadas, os matos 27%, os bosques 25%, as zonas húmidas 21%, as dunas e arribas litorais também 21% e as zonas rochosas 12%.
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PT/ GUIA DAS ESPÉCIES EXÓTICAS E INVASORAS DOS RIOS, LAGOS E ESTUÁRIOS DA PENÍNSULA IBÉRICA

ES / GUÍA “¡CUIDADO! INVASORAS ACUÁTICAS”

ENG/ GUIDE TO THE ALIEN AND INVASIVE SPECIES OF RIVERS, LAKES AND ESTUARIES IN THE IBERIAN PENÍNSULA

 


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Espécies exóticas invasoras de água doce e sistemas estuarinos: sensibilização e prevenção na Península Ibérica

Co-financiado pela UE no âmbito da iniciativa Life e coordenado pela Universidade de Múrcia, LIFE INVASAQUA visa contribuir para reduzir os impactos nocivos das ESPÉCIES EXÓTICAS INVASORASORAS (IEE) na biodiversidade, aumentando a sensibilização do público, aumentando a formação nos sectores envolvidos e criando ferramentas para um sistema eficaz de alerta rápido e resposta rápida (EWRRR) para gerir os seus impactos nos ecossistemas e estuários de água doce.

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