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Produção de arroz comprometida por espécies invasoras

3 agosto 2019.-

A variedade de espécies exóticas invasoras enraizadas em arrozais peninsulares – sendo a mais abundante o lagostim vermelho do Lousiana (Procambarus clarkii) – pode comprometer até 40% da produção anual de arroz e forçar o agricultor a forçar o cronograma de irrigação e retardar sua inundação.

Pedro Anastácio, investigador da Universidade de Évora (Portugal), explicou-o à Efe. Em 2018, a agricultura atingiu 1,7% do Valor Acrescentado Bruto (VAB) de toda a economia e a produção de arroz, que é colhida em Setembro, ultrapassa 150 milhões de quilos por ano.

Lagostim Vermelho

O lagostim vermelho do Louisiana é um crustáceo omnívoro de água doce que em sua fase adulta “come tudo o que encontra” e, embora prefira a substância animal, “é um consumidor de plantas de arroz, especialmente em seus estágios iniciais”.

 

Mas eles dependem da existência de água”, disse o pesquisador, para que os agricultores adotem técnicas para controlar as inundações nos arrozais durante os estágios iniciais da produção “para que não sejam atraentes para os caranguejos”.

No Alentejo português, a enorme densidade de caranguejo vermelho americano é responsável pela destruição de 41% da produção de arroz; “com três ou cinco exemplares por metro quadrado, nenhuma planta pode sobreviver”, acrescentou.

Lagostim vermelho do Lousiana. EFE/J.J. Guillén

Pedro Anastácio, que participa no projecto europeu Life Invasaqua para a disseminação e controlo de espécies exóticas invasoras aquáticas (IAS) em Espanha e Portugal, explicou que a dispersão do caranguejo vermelho ocorre através dos rios, mas, além disso, “é capaz de caminhar até 1,5 quilómetros fora de água”.

Por outro lado, “pequenos espécimes podem ser transportados por aves aquáticas, rodas de trator, redes de pesca ou através de equipamentos científicos até mais de cem quilômetros”.

E sua abundância nos arrozais -até 300 exemplares por metro quadrado – implica outro problema adicional para a agricultura da região, a presença de aves, como cegonhas, garças ou outras limícolas, que se alimentam delas e, além dos benefícios que trazem ao seu controle, causam danos irreparáveis ao crescimento das plantas de arroz.

Prevenção

O pesquisador lembrou a importância de conhecer os vetores de entrada e os riscos associados à espécie; “se estiver em uma bacia hidrográfica, é difícil evitar sua dispersão para outra, mas em áreas isoladas sua passagem pode ser evitada obrigando, por exemplo, que barcos que tenham estado em uma área contaminada sejam desinfetados ao sair dessa área.

Para o investigador da Universidade de Évora, o controlo desta espécie, “impossível de erradicar”, depende também da legislação portuguesa que permite a sua exploração comercial; “os pescadores portugueses exportam-na viva para Espanha e isto é bom para controlar a espécie, mas ilegal”.

Outras espécies

Gambusia holbrooki. EFE/J.J. Guillén

Ele também se referiu a outro EEI de arrozais, Gambusia holbrooki, um pequeno peixe nativo da América do Norte introduzido na península para tentar controlar “sem sucesso” o mosquito que transmite malária e que “por si só não representa um problema para o cultivo de arroz, mas para outras espécies de peixes nativos, que ele desloca”.

No caso da amêijoa asiática (Corbicula fluminea), muito comum em ambientes arenosos e menos comum em arrozais, sua alta densidade “pode causar problemas em termos ecológicos e entupir as bombas em áreas de captação de água”, alertou Anastácio, que destacou que já existem métodos de controle químico que não prejudicam as espécies nativas e foram testados com sucesso.

E com relação à Physella acuta, caracol nativo da América do Norte, muito abundante nos arrozais, alertou sobre sua rápida dispersão e adaptação, embora “não preocupe muito os agricultores”, que conseguem controlar sua população com mudanças na altura da água e processos químicos.

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Espécies exóticas invasoras de água doce e sistemas estuarinos: sensibilização e prevenção na Península Ibérica

Co-financiado pela UE no âmbito da iniciativa Life e coordenado pela Universidade de Múrcia, LIFE INVASAQUA visa contribuir para reduzir os impactos nocivos das ESPÉCIES EXÓTICAS INVASORAS (IEE) na biodiversidade, aumentando a sensibilização do público, aumentando a formação nos sectores envolvidos e criando ferramentas para um sistema eficaz de alerta rápido e resposta rápida (EWRRR) para gerir os seus impactos nos ecossistemas e estuários de água doce.camalote