Governo aprova plano de controlo de lagostim vermelho da Luisiana (Procambarus clarkii), espécie exotica invasora

Lisboa, 3 set  – O Governo aprovou um plano de ação para o controlo populacional do lagostim-vermelho-da-Luisiana, uma espécie exótica invasora que existe em rios e ribeiras de Portugal continental.

O plano de ação, aprovado por resolução na quinta-feira em reunião de Conselho de Ministros, “abrange todas as massas de água de Portugal continental onde a espécie esteja presente” e aplica-se anualmente de 01 de janeiro a 31 de dezembro, “sem períodos de defeso”, segundo os tópicos enviados à Lusa pelo Ministério do Ambiente e da Ação Climática.

O documento, que entrará em vigor no dia seguinte à sua publicação em Diário da República, estipula a captura da espécie como “método de controlo e contenção” da sua população, bem como a identificação de “áreas sensíveis para algumas espécies de plantas ou animais autóctones onde será necessário reduzir a abundância desta espécie” de crustáceo.

De acordo com o plano, que pretende “dar cumprimento à legislação comunitária e nacional nesta matéria”, a população de lagostim-vermelho-da-Luisiana deve ser mantida “em níveis de controlo que minimizem os prejuízos causados pela mesma, mas ainda assim permitam os seus efeitos positivos enquanto presa importante na dieta da fauna autóctone”.

Não sendo possível a erradicação do lagostim-vermelho-da-Luisiana, o Governo decidiu avançar com um plano de controlo, que se estende a outras espécies exóticas invasoras de crustáceos, “presentes nas massas de água continentais”, como o lagostim-sinal e o caranguejo-peludo-chinês.

Nativo do nordeste do México e do centro e sul dos Estados Unidos, o lagostim-vermelho-da-Luisiana é uma espécie invasora em território europeu, tendo sido introduzida como isco de pesca, para aquacultura ou consumo, segundo uma informação publicada no portal da Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica.

Em Portugal, a espécie apareceu em 1979, a partir de Espanha, e está espalhada por, pelo menos, 11 bacias hidrográficas: rios Douro, Leça, Vouga, Mondego, Lis, Tejo, Sado e Mira e ribeiras do Oeste, Algarve e Guadiana.

O lagostim-vermelho-da-Luisiana, que pode atingir 15 centímetros de comprimento, come plantas, detritos, moluscos, insetos, vermes, larvas e girinos e serve de alimento para lontras e cegonhas-brancas. É “um grande escavador”, podendo causar “danos no leito dos rios, em diques e barragens de terra e em culturas, particularmente na do arroz”.

Com origem no leste asiático, o caranguejo-peludo-chinês, “muito apreciado gastronomicamente”, terá chegado a Portugal num lastro de um navio, distribuindo-se pelas bacias hidrográficas do Tejo e Minho, descreve a Ciência Viva.

O lagostim-sinal é mencionado pelo Museu Nacional de História Natural e da Ciência como sendo a espécie de lagostim, a par do lagostim-vermelho-da-Luisiana, que contribuiu em parte para o desaparecimento do lagostim-de-patas-brancas, nativo de Portugal.
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